Vou andando por ai
Sobrevivendo à bebedeira e ao comprimido
Vou dizendo sim à engrenagem
E ando muito deprimido
É dificil encontrar quem o não esteja
Quando o sistema nos consome e aleija
Trincamos sempre o caroço
Mas já não saboreamos a cereja
Já houve tempos em que eu
Tinha tudo não tendo quase nada
Quando dormia ao relento
Ouvindo o vento beijar a geada
Fazia o meu manjar com pão e uva
Fazia o meu caminho ao sol ou á chuva
Ao encontro da mão miúda
Que me assentava como uma luva
Se ainda me queres vender
Se ainda me queres negociar
Isso já pouco me interessa
Perdemos o gosto de viver
Eu a obedecer e tu a mandar
Os dois na mesma triste peça
Os dois à espera do fim
Tu tens furtuna e eu não
Podes comer salmão e eu só peixe miúdo
Mas temos em comum o facto de ambos vermos
A vida por um canudo
Invertemos a ordem dos factores
Pusemos números à frente de amores
E vemos sempre a preto e branco o programa
Que afinal é a cores.

Pacto de Silencio

 Lamento
 
Todo o Pseudo poeta precisa de uma musa, é incontrolável!
Há-os, aos quais, por força do talento, as palavras brotam como a nós brota o suor sempre que temos de escrever, a eles não! Esses predestinados, simplesmente pegam na pena e a magia acontece, fruto do talento que têm (para dar e vender) escrevem mil e uma maravilhas com as palavras mais simples do mundo, sem complicar, sem muitos floreados, escrevem coisas cheias de uma beleza simples e sincera. Para nós os outros, tudo é difícil, cada palavra, cada frase, são arrancadas do fundo do nosso edifício intelectual e são motivos para mil e uma duvidas, até que (normalmente sem contar) chega o nosso pedaço de céu, entra a musa que nos inspira e enquanto dura a inspiração, tudo parece fácil, sentimos essa sensação de Olimpo que é escrever sem esforço, tudo fácil, tudo bonito tudo claro... como isso é bom... escrever, deixar fluir e aproveitar para transformar sentimentos pensamentos e emoções em palavras frases e parágrafos e poemas e textos... mas depois acaba o combustível e tudo volta ao normal, as duvidas, a dureza das palavras e o insustentável peso da pena nos dedos!
Há o que seria de um pseudo Poeta sem uma musa, com tanta coisa para dizer e sem meios para o fazer!

 

 Sem saber...
 
Sem saber...
Sem saber como tornei-me um poeta....
Desculpem disse poeta... queria dizer pateta.. equivoco de minha pessoa..
Desculpem disse Pessoa!!! Eu Fernando de baptismo, ouso auto intitular me pessoa..
Bem, pessoa, só se for por causa dos meus amigos, aqueles que só eu vejo, e sim é por culpa deles que eu me auto intitulo Poeta e Pessoa,
Porque só os meus heterónimos(que ainda não baptizei) encontram em mim um poeta e uma pessoa, para todos os outros não passo de um gajo, a quem, para infelicidade geral, deram um papel e um lápis (ou uma conta no Blogger) Para todos os outros sou só o que vêem, para os meus heterónimos sou o maior poeta lá do meu quarto...
Afinal já sei como ... tornei me poeta por causa dos macaquinhos no meu sotão e como tal vocês não tem nada que me estar a aturar... desculpem lá!!

 


Pema em S que se despistou
 
Sem pedires ordem
Surgiste na minha frente
Só pelo prazer do Jogo
Segui-te
Sós! Apesar de rodeados por todo o mundo
Seguimos Jogando
Só Jogando
Sem pedires ordem e
Sorrateiramente
Surripiaste a paz e a calma que me ocupavam a alma!
Sem dó nem piedade voltaste a instigar em mim
o desassossego,
a confusão,
e a guerra
A GUERRA!
Essa Guerra a que eu pus termo á 8 anos
Guerra sem quartel que me incendeia e me faz viver!
Essa guerra que me fez faz e fará sempre correr para ti!!!
Pois mas tu estás trintinha e eu estou trintão!
E o calor com que antes me derretias,
serve agora para me tornar mais duro!
Como o Aço na forja de um experiente ferreiro
Sobre sucessivas e sincopadas pancadas
Se abriga no calor ganha forma e endurece!!!

Tu és trintinha e eu sou trintão
o Jogo que antes jogavas com mestria
e em que me prendias e amarravas
é hoje dominado por mim
é hora de mudança
Baralho e volto a dar!
Agora sou eu que pauto o Jogo
Pauto pela pauta da calma
num compasso binário bem assente em dois pólos
o meu aqui
e o teu aí
Bem longe

 


 De que cor são os meus olhos…
 
Um dia, disseste que querias saber qual é ao certo, a cor dos meus olhos.
Disseste que querias tirar isso a limpo, porque á noite todos os gatos são pardos.
Eu digo te que cor são os meus olhos, é fácil. Digo mesmo sem olhar no espelho.
Os meus olhos são negros cor de lágrima, quando a vida me troca as voltas e leva para longe aqueles de que gosto.
Os meus olhos são amarelos cor de sol, quando encontro um sorriso no desconhecido que apenas sorri.
Os meus olhos são vermelhos cor de fogo, quando de forma mesquinha e pobre tratam mal aqueles que eu gosto e arde em mim o fogo da revolta.
Os meus olhos são cinza cor de nuvem, quando a vida pediu de mim, mais do que eu podia dar, e eu desligo e passo a estar fechado no meu mundo.
Os meus olhos são verdes cor de esperança, quando pego nos meus braços o futuro da humanidade e o vejo risonho e feliz.
Os meus olhos são azuis cor de madrugada, quando depois de uma noite a falar, descubro um novo dia na minha vida.
Os meus olhos são o espelho da minha alma, e é de noite que ela mais se revela.


 falar sozinho
 
"Estás a falar sozinho?"


Sim, maior parte da minha vida passo-a a falar sozinho. Ninguem ou quase ninguem me compreende, eu falo, falo, falo... sou um tagarela, conto histórias, coisas, digo disparates e conto barbaridades, mas ninguem ou quase ninguem me compreende! Eu tambem não queria que me compreendessem, era uma violação! Toda a gente via o que se passava cá dentro, e isto parecia uma telenovela. Não! O que é meu é meu! Mas as vezes faz bem falar e deixar sair o que está cá dentro, esses momentos são raros,mas essa noite teve um momento desses, em que eu deixei de falar sozinho e pude falar com alguem!

 Quero Responder-te
 
Quero que as minhas palavras, sejam para ti,
porto de abrigo, ou farol no teu mar tempestuoso!
Mas não! Não é com palavras que te quero responder.
Elas não servem porque a minha boca erra, e as pontas dos dedos não conseguem passar para o papel tudo o que tenho para te dizer..
até porque é humanamente impossível
dizer-te tudo o que sinto.
Quero responder-te mas com o mínimo de erro possível.
E todo o exercício que faço para verbalizar o que trago no peito
mostra mais, a deficiência que o meu cérebro tem para mostrar o que me vai na alma.
Todo o meu discurso se torna errado e distorcido....
Quero responder-te, mas não posso!

A única forma que encontro para te responder..

é estender os braços e abraçar te...

deixar que os meus braços funcionem como espelho da minha alma,
e que o calor do meu peito, sirva como o Sol
que te aquece, te torna mais alegre, mais radiante e mais feliz!

mas tu estás longe...
e o caminho esse ...
é teu


 

 Pegar na caneta, ou no teclado, para te escrever é antes de mais o assumir de algumas fragilidades!
Ao escrever posso pensar e repensar cada palavra e cada frase, estudar cada ângulo de interpretação possível, voltar atrás, reorganizar ideias e no final se o resultado não agradar (e são tantas as vezes em que isso acontece) posso simplesmente rasgar e deitar fora! Mais! Ao escrever não tenho que lutar contra o teu sorriso que teima em me embriegar de felicidade, nem contra o brilho dos teus olhos, que teimam em encandear as coisas que eu tenho para te contar. Falar-te é complicado... eu abro a boca para falar e perco-me na luz do teu sorriso, no brilho dos teus olhos, na cor do teu cabelo e no calor da tua alma! Perco me na vontade de nunca mais me achar, de me deixar estar uma eternidade... toda a eternidade! Perdido, abandonado em ti! deixar me estar nesse estado de felicidade que me completa!
Por isso amor, deixa-me que te escreva o quanto gosto de ti e te amo!e permite-me que na tua presença me aconchegue no teu colo e seja imensamente feliz!

Usa-me! Quando tu me usas, sinto-me o mais deplorável ser á face da terra... de pouco me importa! Pois quando me usas estas perto de mim e reconheces a minha existência! Usa me que antes me quero usado por ti do que esquecido pelo mundo! Usa o meu corpo e cospe na minha alma! deixa me reduzido ao mais insignificante e abjecto monte de esterco! Usa a minha alma e pisa o meu corpo!
Manda me embora mas amarra-me junto a ti!
Liberta-me! Mas não me deixes partir!
Não quero ser um peso morto... mas não consigo deixar-te!
Larga-me numa valeta... mas não deixes de voltar a passar para me buscar como é teu habito!
Bate-me e insulta-me... mas toca-me! Não deixes de me tocar!
Insulta-me! Afinal é a única forma que conheces de me falares!
Deixa-me falar contigo!
Nem que seja para depois me chamares de Asno! Afinal Asno é o que eu sou por estar aqui a implorar por os teus maus tratos! Já me sangram os flancos marcados pelo compasso ritmado dos teus pontapés... ou devo dizer coices? São bestiais com certeza... um ser humano não trata assim um cão... quanto mais um ente querido...
Não me acuses mais de ter mau hálito que a podridão das minhas entranhas é fruto da tua violência física... e a falta de animo para me curar resulta da violência emocional com que tu me tratas...
estou farto!
Larga-me
Nunca mais me Usas!
Só! Paro a olhar o mar abandonado ao sol de inverno, deixo os músculos relaxar e embalo nos braços do ócio! Desligo me de tudo, sintonizo apenas o troar das ondas, deixo os olhos vaguear no azul do céu, no branco das nuvens, numa gaivota que passa a voar. Sem dar por isso, dou por mim a inveja-la. Invejo a graça com que se move, invejo a elegância com que vence a gravidade e se eleva no azul do céu! Acima de tudo invejo as asas que lhe permitem partir em direcção ao infinito! Quem me dera poder quebrar as fronteiras do espaço e do tempo e em segundos esquartejar a distancia que nos separa. Quem me dera, suave e graciosamente, poisar ao teu lado. Quem me dera largar a caneta e segredar te ao ouvido que invejo a gaivota e as asas da gaivota e a liberdade que ela tem para poisar ao teu lado e encontrar o teu olhar!
Posso correr muito, corro porque amo a estrada e o caminho, corro porque gosto dos encontros que o caminho me traz, corro porque sem o caminho seria o vazio…
Ergo os olhos e pergunto-me onde é o fim… disparate! O caminho não tem fim, tem apenas mais caminho a seguir a cada curva!
Todos me dizem que o caminho se faz melhor acompanhado, e eu tentei… tentei caminhar ao lado, atrás e á frente de alguém… nunca resultou! A minha passada não é regular, o meu ritmo nunca bate certo com o de quem me acompanha. A companhia que devia ser encorajadora e motivo de ânimo, acaba sempre por se tornar pesada, o que devia ser uma alegria torna-se uma obrigação, não sirvo para fretes! Desisto!
Não, não desisto de caminhar, desisto de tentar ir acompanhado. Eu levo o meu ritmo e o meu passo, vens ao lado? Óptimo! Mas olha que eu não corro nem espero por ninguém! Sim mandei as convenções as favas! A sociedade inventou este molde, e disse que o caminho era como uma corrida de três pernas… a mim não serve! Sim, tenho a mania que sou solitário, não escolhi ser assim, nasci assim! Enquanto vieres ao meu lado conta comigo, bebes da minha água, e apoias-te no meu cajado. Mas já te digo, não te esforces por estar ao meu lado, tenho dias em que a genica me manda correr como um doido (que sou!) e outros em que me doem as pernas e só quero estar sentado. Enquanto o meu caminho for o teu e enquanto os passos forem os mesmos, estou ao teu lado! Quando algo mudar e um de nós tiver de ficar para trás… fica com a certeza que com as variações do caminho, nos vamos voltar a encontrar, fica também com a certeza que te quero bem e como tal nada vou fazer para te magoar

 
Make a Free Website with Yola.